Nº de Brotinhos Visitantes

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ROBERTO CARLOS E OS PRIMEIROS ANOS

Roberto Carlos
No início do ano de 1963, Roberto Carlos mudou-se com a família para a rua Pelotas, no bairro Lins de Vasconcelos no Rio. Logo matriculou-se em um curso de datilografia, pois tinha de arrumar um emprego para ajudar nas despesas. Mas a paixão pela música não havia desaparecido. Com apenas alguns dias de curso, Roberto estava tocando Tutti Frutti em uma das salas, quando um amigo chamou Otávio Terceiro, que também estudava datilografia, e era produtor do programa Teletur, da TV Tupi. Ele ouviu, gostou e levou Roberto Carlos para cantar a mesma música na TV.
           Seu pai não aprovou muito a sua inclinação para cantor, e somente concordou após pensar muito, com a condição de que ele não largasse os estudos. Mas a primeira experiência de Roberto com o Rock não o empolgou muito: estava "numas" de Dolores Duran, Tito Madi, etc.


Carlos Imperial
           Como sentiu não haver progresso após aquela apresentação, ele procurou Carlos Imperial, um jovem apresentador e promotor de eventos para a juventude. Tornaram-se amigos e Roberto passou a cantar no seu programa Clube do Rock, que era exibido dentro do Jacy Campos, na TV-Tupi do Rio.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O BELO SIMCA CHAMBORD

Simca Chambord
Entre os carros que desfilavam pelos anos sessenta, sem dúvida o Simca Chambord foi um dos mais belos.
O simca Chambord foi produzido pela Simca francesa entre 1958 e 1961, desenvolvido a partir do Simca Versailles. Tal como este, imitava os automóveis estadunidenses da época.  Foi o primeiro automóvel de luxo fabricado no Brasil, a partir de 1959, tendo continuado a ser construído sob licença pela Simca do Brasil até 1967. O Chambord também marcou uma época por ser o veículo usado pelo ator Carlos Miranda, protagonista da popular série de TV "O Vigilante Rodoviário".

O Vigilante Rodoviário
Apesar de sua boa aparência o Chambord tinha o desempenho comprometido por um motor V8 fraco, o que lhe valeu o apelido jocoso de "O Belo Antônio" (bonito, mas impotente).

O Simca Présidence foi uma versão luxuosa do Simca Chambord. Tinha calotas do tipo aro de bicicleta (parecido com rodas de maserati), pneu estepe atrás do porta malas, cores exclusivas e bancos de couro. Foi lançado em 1965 com um  motor V8 Tufão de 110 hp, e no final de 1966 recebeu o motor V8 Emi-Sul de 140 hp.

Havia a versão perua (caminhonete) que era chamado de Simca Jangada, que hoje seria como uma SW.
Simca Jangada

Simca Chambord-Tufão
                                                   O simca tinha o apelido de rabo de peixe



Roberto Bahy
O PROGRAMA DE SÁBADO, 12/05/2012

    O programa deste sábado,   dia  12-05-2012,
será uma gravação,  em virtude de um compromisso que tenho. Formatura da minha filha mais nova Marcella,   que será graduada em Pedagogia pela Ulbra. Parabéns a ela.



segunda-feira, 7 de maio de 2012

RETRATOS QUE O TEMPO NÃO APAGA III

OS BONDES DE PORTO ALEGRE - ANOS 60

Quem andava pelas ruas de Porto Alegre até o ano de 1972, certamente conviveu com os bondes. Era comum usar o bonde como se usa o ônibus nos dias de hoje. Haviam linhas espalhadas pela cidade que se dirigiam para os bairros Teresópolis, Glória, Partenon, Auxiliadora, São João, Petrópolis, Azenha e outros. Uma mistura de história e poesia é a imagem que ficou. Saudades é o que restou.





Os bondes tinham quatro portas, que no início eram abertas e com o tempo foram colocadas portas tipo as dos ônibus, que fechavam. Não existiam roletas em seu interior e o cobrador passava de banco em banco para fazer seu serviço. Para avisar ao motorneiro que podia colocar o carro em movimento, o cobrador acionava uma espécie de matraca para dar o sinal. Os bancos eram de madeira e tinham o encosto reversível, que viravam de lado quando  o bonde chegava no fim da linha.

A cidade era menos perigosa e os meninos a partir dos sete anos já andavam sozinhos pela cidade, deslocando-se, é claro, de bonde.
Lembro que com nove anos eu já ía de Teresópolis ao Centro, usufruindo de um belo passeio de bonde.
Na esquina do colégio Venezuela, entre a Av. Niterói e a Travessa Viamão, havia o entroncamento entre os destinos da Glória e o de Teresópolis.  Muitas vezes passei por ali. Lembro quando ía com minha tia Delma e meus primos ver o tio Abrelino que estava internado no hospital São José do complexo da Santa Casa.

A garagem da Companhia Carris Portoalegrense, ficava na Av. João Pessoa em frente ao parque Farroupilha (mais conhecido como Parque da Redenção) próximo da esquina da rua Sarmento Leite e em sua frente era um emaranhado de trilhos.

Achei de extrema burrice do prefeito no ano de 1972, sr. Célio Marques Fernandes, retirar de circulação os bondes de Porto Alegre. Poderia ter modernizado e conservado o que hoje seria uma atração turística para nossa cidade, pois na Europa os bondes circulam de forma intensa como meio de transporte de massa. Outro dia vi num programa sobre Portugal, bondes semelhantes aos de Porto Alegre, o que me deu uma grande saudade.

Mas nem tudo está perdido. Vem aí o aeromóvel, que é uma versão moderna do bonde, com uma linha que vai da frente do aeroporto Salgado Filho até a estação Aeroporto do Trensurb.

sábado, 5 de maio de 2012

O MATA-BORRÃO

Uma das construções que deixavam a Porto Alegre da minha infância mais feliz e bonita era o mata-borrão, que ficava na Av. Borges de Medeiros com a rua Andrade Neves. Os mais Jovens nem sabem que existiu, outros esqueceram. Ele foi construído em 1958 para ser um local destinado a exposições e outros eventos, acabou sendo central telefônica enquanto era construído o prédio da CRT do outro lado da rua e, por razões que desconheço foi demolido no final dos anos 60. Em seu lugar foi construído o prédio perfeitamente comum da ex-Caixa Econômica Estadual (hoje "Tudo Fácil").
No prédio do mata-borrão, durante os dias da "Campanha da Legalidade",em 1961, funcionou a sede do Comitê de Resistência Democrática, um dos órgãos formados para defender a posse de João Goulart, o vice presidente do governo de Jânio Quadros, que renunciou ao mandato naquele ano. Servindo inclusive como local de alistamento para quem estivesse disposto a defender o movimento.

Naquele ano Jango era ameaçado de não assumir o cargo, por ser um político de centro-esquerda num momento em que o mundo vivia a chamada Guerra Fria entre o capitalismo e o comunismo.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

DUAS DUPLAS DE SUCESSO: OS VIPS E DENY E DINO

              
OS VIPS

Os irmãos Márcio e Ronald Antonucci, os Vips, eram muito divertidos e aproveitaram como poucos o sucesso que tiveram durante o período da Jovem Guarda. Aprontavam molecadas quando se apresentavam nos programas. Na Record continuaram aprontando novidades. Uma delas acabou estimulando o libido dos colegas: descobriram um furo na divisória de madeira que separava o camarim masculino do camarim feminino do pessoal do Jovem Guarda. Segundo se comentava na ocasião, o autor do "furo" foi o Jerry Adriani (com aquela cara de santo), que cobrava "pedágio" para a turma apreciar a paisagem. Mas ainda se achava que foram os Vips que fizeram o furo. Por ali, a rapaziada apreciava e transpirava vendo Wanderléa e outras divas trocar de roupa. Márcio e Ronald eram assediados pelas fãs onde quer que se apresentassem. Ronald era um pouco mais comportado, mais sério. Márcio era o galã da dupla e, portanto, o que mais namorava (inclusive fãs) . Depois ele se casou com a Lilian e tiveram uma filha. Mas a união deles não durou muito tempo.


 DENY E DINO
Deny e Dino tiveram na música "Coruja" seu primeiro e maior sucesso. Mas quase mudaram o nome da música por sugestão do Roberto Carlos. Antes dessa gravação, em fevereiro de 1966, eles já haviam apresentado a música em alguns programas de rádio e televisão. A aceitação do público foi muito boa, mas eles ainda não tinham tido a chance de se apresentar no Jovem Guarda. Através de Edy Silva, divulgadora do Roberto, marcaram um encontro no apartamento do cantor, na avenida São João, esquina com a Duque de Caxias, no centro de São Paulo. Ali, encontraram Jorge Ben, Tim Maia, Ed Carlos e o Erasmo. Deny e Dino cantaram a música e, após a apresentação, Roberto perguntou o nome dela. Quando o Deny disse que era Coruja, Roberto - já demonstrando as manias que o tornariam popular - não gostou. Sugeriu um nome mais positivo, alegre. Coruja lembrava coisa triste, azar. Com aquele nome, não faria sucesso. Só que eles gravaram com esse título e a música estourou nas paradas. Aí Roberto acabou convidando a dupla para se apresentar no Jovem Guarda.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

RETRATOS QUE O TEMPO NÃO APAGA II

Nos anos sessenta a televisão ainda era em preto e branco. As novelas eram ao vivo, os famosos tele teatros. Eu tenho até uma tia a Elma que era atriz de novelas. Seu nome artístico era "Suzi". E assim é chamada até hoje, eu é que teimo em chamá-la pelo nome verdadeiro. Era mora no Rio de Janeiro, consequencia de ter sido aero-moça da companhia aérea Cruzeiro do Sul (saudosa Cruzeiro) que depois foi engolida pela Varig.
Bom, mas eram muitas as propagandas que marcaram e muitas ficam na memória, tornando-se inesquecíveis. A propaganda dos cobertores Paraíba, que incentivavam as crianças a ir para a cama quando chegava a hora de dormir. Era como se fosse um aviso para as crianças se retirarem da sala, antes que aparecesse na tela aquela indesejável carteirinha da censura, limitando a idade para a programação a seguir. Os bonequinhos iam em direção ao quarto com uma vela ecesa em um píres e camisola e touca, cantando a música que dizia:

Tá na hora de dormir, não espere mamãe mandar. Um bom sono prá você e um alegre despertar.

A propaganda das Casas Pernambucanas era outra que ficou gravada na memória e está na ponta da língua. Era exibida principalmente no inverno. Era bem assim:

 Uma mulher perguntava ao ouvir uma batida na porta;

- Quem bate ?
- É o frio !
Aí ela cantava:
- Não adianta bater. Eu não deixo você entrar. As Casas Pernambucanas é que vão aquecer o meu lar.
 Vou comprar flanelas, lãs e cobertores eu vou comprar, nas casas Pernambucanas e nem vou sentir o inverno passar. Casas Pernambucanas !

As propagandas do fuca, chamado de fusca fora do Rio Grande do Sul , Toddy, Sonrisal, Biotonico Fontoura, Kolynos (o gosto da vitória). Eram muitas as propagandas que viraram inesquecíveis para quem vivenciou os anos sessenta.

Em Porto Alegre haviam duas estações de TV, a Piratini que era o canal 5 e a Gaúcha que era o canal 12, ambas no morro Santa Tereza. Em 1969 foi inaugurada a TV Difusora canal 10, no morro que fica no bairro Santo Antonio.

"O passado não reconhece o seu lugar, está sempre presente"
                                        Mário Quintana




sábado, 28 de abril de 2012

A MÚSICA E A CENSURA DA DITADURA MILITAR

Geraldo Vandré

Quando o golpe militar foi deflagrado em 1964, ironicamente o Brasil tinha na época os movimentos de bases políticos sociais mais organizados da sua história. Sindicatos, movimento estudantil, movimentos de trabalhadores do campo, movimento de base dos militares de esquerda dentro das forças armadas. Todos estavam engajados e articulados em entidades como a UNE (União Nacional dos Estudantes), o CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), o PUA (Pacto da Unidade e Ação) e outros que tinham grande representatividade diante dos destinos políticos da nação. Com a implantação da ditadura, todas essas entidades foram asfixiadas, sendo extintas ou caindo na clandestinidade. Em 1968 os estudantes continuavam a ser os maiores inimigos do regime militar. Reprimidos em suas entidades, passaram a ter vóz através da música. A música Popular Brasileira, começa a atingir as grandes massas. Ousando a falar o que não era permitido à nação.

Diante das forças dos festivais da MPB, no final da década de sessenta, o regime militar vê-se ameaçado. Movimentos como a Tropicália, com a sua irreverência, mais de teor social-cultural do que político-engajado, passou a incomodar os militares. A censura passou a ser a melhor forma da ditadura combater as músicas de protesto e de cunho que pudesse extrapolar a moral da sociedade dominante e amiga do regime.

Com a promulgação do AI-5, em 1968, esta censura à arte institucionalizou-se. A MPB sofreu amputações de versos em várias de suas canções, isso quando não eram totalmente censuradas.

Para censurar a arte e suas vertentes, foi criada a Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), por onde deveriam previamente, passarem todas as canções antes de serem executadas nos meios públicos. Esta censura prévia não obedecia a qualquer critério. Os censores poderiam vetar tanto por motivos políticos, ou de proteção à moral vigente, como por simplesmente não perceberem o que o autor queria dizer com o conteúdo. A censura além de cerceadora, era de uma imbecilidade jamais repetida na história cultural brasileira.