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sábado, 24 de novembro de 2012

A HISTÓRIA DO VIDEO TAPE

No ano de 1956, em 14 de abril, dois cientistas da americana Ampex, Charles Ginsberg e Ray Dolby, revolucionaram o modo de fazer televisão com o invento do "videoteipe". Deste modo não chegaria mais aos olhos do telespectador os erros e improvisos da televisão feita ao vivo. As produções podiam ter seus trabalhos melhor acabados.
Mas não foi fácil chegar ao invento. A dificuldade estava em armazenar muito mais informações que o áudio. Se fosse utilizado o mesmo processo de gravação do som, haveria a necessidade de 35,5 metros de fita para armazenar informações de 01 segundo de imagem, e para 01 hora, 127.800 metros de fita, sem contar é lógico que a fita teria de passar na cabeça magnética a uma velocidade de mais ou menos 130 quilômetros por hora.
O que foi feito então? Manteve-se a mesma velocidade de fita que do gravador de som, ou seja, 38 centímetros por segundo (15 polegadas por segundo), mas para que a gravação ganhasse maior velocidade fizeram também com que a cabeça magnética também girasse.
Resumindo, o videoteipe inventado era assim: a fita teria de ser de 05 centímetros ou 02 polegadas de largura, tendo uma velocidade de 38 centímetros ou 15 polegadas por segundo, passando por um conjunto em forma cilíndrica de 04 cabeças dispostas a 90 graus cada uma que tanto gravavam quanto reproduziam e giravam a 240 rotações por segundo, e recebeu o nome de Quadruplex devido as cabeças se encontrarem em forma de quadrante.
 
O videoteipe foi usado pela primeira vez no Brasil em 1958, com a apresentação de "O Duelo", de Guimarães Rosa, pelo programa "TV de Vanguarda", da TV Tupi de São Paulo. O equipamento era utilizado de forma precária pois não havia possibilidade da edição (montagem). Walter George Durst, responsável pelo programa, dispunha de uma fita de apenas uma hora de duração e por isso as cenas tiveram de ser exaustivamente ensaiadas e cronometradas. Quando a fita terminou, ainda faltavam as cenas finais, que foram feitas "ao vivo" após a exibição da parte gravada.
 
O VT estreou no Brasil em uma festa no Copacabana Palace, em 1959. A primeira cena foi um close no relógio do repórter Carlos Pallut, da TV Continental do Rio de Janeiro (canal 9) marcando 15h. O show apresentado por Riva Blanche, Pallut e dirigido por Haroldo Costa (aquele mesmo dos carnavais da Manchete!) entrou no ar às 21h. Foi surpreendente! O diretor da emissora, Demirval Costa Lima, gritou no estúdio quando assistiu à cena do relógio:
 
Muitos dizem que a primeira grande utilização oficial do videotape foi na inauguração de Brasília, onde a Record gravou através da TV Alvorada uma fita e mandou-a o mais rápido possível para São Paulo, sendo que a noite, depois do primeiro grande link aéreo que a Tupi havia inventado (matéria para outra coluna), a mesma exibiu um resumo de suas atividades. Era o VT entrado em cena no país.
 
A primeira e mais fantástica utilização do VT foi em 1961 no programa Chico Anysio Show, da TV Rio, onde Chico contracenava com ele mesmo, fazendo diversos papéis. Imaginem a trabalheira que deu editar este episódio! Mesmo truque foi utilizado depois em "Mulheres de Areia", com Eva Wilma fazendo Ruth e Raquel na versão da TV Tupi. Sendo que a primeira novela a utilizar o VT foi "Gabriela, Cravo e Canela", da TV Tupi do Rio de Janeiro, que ficou famosa por muitos dos seus personagens, entre eles o Doutor Mundinho Falcão (Paulo Autran).
 

A revolução era vista claramente, a reportagem poderia ao ar, sem precisar levar o filme para o laboratório revelar, os erros eram consertados antes da exibição. No caso das novelas, estas puderam ser gravadas com antecedência e surgia também o "inédito" replay . Já era possível ver novamente um gol, ver se o jogador estava impedido, ou assistir de novo o show de música de ontem! Era possível fazer com que a TV tivesse uma memória viva em suas fitas de vídeo. O videotape foi para a televisão o que o microcomputador foi para a antiga máquina de escrever.
 
Era uma dificuldade imensa para editar essas fitas ! David Grimberg (diretor de novelas, que mais tarde foi chamado do "Papa das Novelas") era especialista nisto. Rodava o Ampex, via mais ou menos onde deveria entrar a outra imagem. Segurava a fita com os dedos no ponto "que deveria ser o certo" , parava o VT, e cortava a fita com uma gilete, já colando a outra cena com cola em alguns casos. Mais tarde a cola foi substituída pelo splicer, uma fita adesiva própria para o audiotape. Era algo incrível!
Ou se cortava no ponto certo ou perdia-se trechos de fitas (até mesmo fitas inteiras!), dando um habitual "pulo" na imagem, só que um pulo sem uma seqüência perfeita entre as ações de uma cena e de outra. Mas não podíamos negar, o futuro tinha chegado à televisão.

Fontes: blog sellerink e blog Sampa on line

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