
Os documentos foram repatriados ao Brasil pela organização
religiosa Conselho Mundial de Igrejas, que os reuniu de forma clandestina e os
guardava nos Estados Unidos.
Os responsáveis da entidade entregaram os processos ao procurador-geral da
República, Roberto Monteiro Gurgel Santos, em cerimônia realizada em São Paulo,
segundo a Procuradoria informou em comunicado.
A reunião dos papéis começou por iniciativa da advogada Eny Raimundo Moreira,
que entre 1964 e 1979 fotocopiou os processos do Superior Tribunal Militar,
aproveitando que a lei permitia que os advogados estudassem os processos durante
24 horas.
Os advogados receberam apoio logístico e financeiro do então cardeal de São
Paulo dom Paulo Evaristo Arns e do reverendo presbiteriano Jaime Wright, que
microfilmavam os documentos e os enviavam aos EUA.

O livro teve 20 reimpressões em seus dois primeiros anos e atualmente está em
sua 31ª edição, de 2009.
A Arquidiocese de São Paulo decidiu agora doar toda a documentação à Unicamp,
que se comprometeu a publicar o material na internet, segundo o comunicado.
Atualmente tramita no Senado um projeto de lei que permitiria o acesso da
população e de historiadores a documentos considerados como segredo de Estado e
reduziria o prazo de sigilo dos papéis.
O projeto já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e limita a uma única vez a possibilidade de renovação do prazo máximo do sigilo (25 anos), o que faria com que os documentos considerados "muito secretos" perdessem essa condição aos 50 anos.
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