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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

MEXERICOS DA CANDINHA

A pagina que exibia semanalmente os "Mexericos da Candinha", talvez fosse o maior índice de leitura da revista do Rádio, publicação voltada a promover artista de cinema, rádio e televisão. A revista ganhara destaque no ápice da rádio Nacional, início dos anos 1950. Antes, portanto, da força da imagem televisiva no mundo. Dez anos depois a TV suplantaria o rádio em audiência e alcance midiático. O rock impulsionava segmentos inéditos de público, com personagens "rebeldes" fazendo contraponto ao elenco de cantores e atores idolatrados pelas "macacas-de-auditório"  - termo pejorativo dado às hordas de fãs histéricas que veneravam Paulo Gracindo, Linda Baptista, Ângela Maria, Caubi Peixoto, Marlene, Emilinha, Nelson Gonçalves e dezenas de outros medalhões da velha guarda.
          Os primórdios dos anos 1960 bagunçaram de vez o coreto. Primeiro a irrupção da bossa nova, em seguida, a histeria planetária provocada pelo Beatles e pelos Rolling Stones. Em momento musical simultâneo à chegada de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, o trio condutor da composição de figuras que integravam a jovem guarda. Tempos de ebulição visual, golpes políticos e alterações de comportamento. Editorialmente a revista do Rádio não poderia deter a marcha dos acontecimentos e tratou de modernizar suas pautas e reportagens com os "transviados" do show bizz nacional.
           Surge assim a renovação da seção "Mexericos da Candinha". Encomendada ao produtor artístico e compositor Carlos Imperial (1935-1992). Como alavanca promocional da mudança, Roberto Carlos grava e lança o rock "Mexericos da Candinha". Corria o ano de 1965 e estreava em São Paulo o programa "Jovem Guarda".
           Os "Mexericos" não tinham autoria fixa. Eram escritos por redatores da própria Revista do Rádio, a partir de informações passadas por gravadoras, produtoras de cinemas, bastidores de TV e, principalmente, pela lingua víperina dos Gossip Makers. Divulgar boatos e informações venenosas fazia parte do jogo. Roberto, Erasmo, Cidinha Campos, Imperial, Aerton Perlingeiro, o escritório do agente musical Marcos Lázaro: as "fontes" tinham origens diversas. fofocar é preciso, viver não é preciso.
            Zombava-se do penteado da atriz, arrasava-se o paletó do cantor estreante, entregava ao público os pares românticos recém-formados, atiçavam-se briguinhas, picuinhas e rixas, a figura da Candinha, devidamente incorporada ao visual dos anos 1960, realçava o canto superior da página. Lá estava ela, uma ilustração de mulher sirigaita de óculos-gatinhos, com a expressão de fofoqueiras em êxtase. Hoje os mexericos soam ingênuos, inócuos, datados. Mas para quem gosta de revirar bobagens do passado, são amostras saborosas de quando mudar a cor do cabelo, namorar galã ou usar calça boca-de-sino provocava pequenos escândalos.

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